Contos Negreiros, Marcelino Freire, Editora Record, reúne dezesseis contos curtos em prosa poética, com rimas que tornam a leitura ainda mais interessante, pois expressam a linguagem do povo, evidenciando a dificuldade de ser pobre, LGBTQIA+, mulher, idoso e, especialmente, negro.
O preconceito racial é um tema presente na maioria dos contos. A violência é abordada nas narrativas “Linha do Tiro”, “Esquece” e “Polícia e Ladrão”. Já a temática LGBTQIA+ aparece em “Coração” e “Meus amigos coloridos”.
Um dos contos que mais gostei foi “Trabalhadores do Brasil”, que fala sobre subempregos. Um ponto interessante é que as personagens desse conto recebem nomes de Orixás e referências africanas e afro-brasileiras, como Olorô-Quê, Zumbi, Tição, Obatalá, Olorum, Ossonhe, Rainha Quelé e Sambongo.
Contos negreiros: histórias de resistência
As narrativas apresentam uma variedade de personagens que representam diferentes facetas da sociedade brasileira, permitindo uma reflexão sobre as interseccionalidades entre raça, gênero, e classe social, temática que gosto muito.
A leitura foi extremamente reflexiva e crítica. A obra é marcada por uma forte sensibilidade e uma crítica social contundente, refletindo sobre a história e a cultura afro-brasileira, com uma primorosa apresentação de Chico Zá.
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